Pular para o conteúdo
← Todos os artigos

Hormônios sexuais: o que são e como funcionam no corpo

Dra. Renata Belatti Dra. Renata Belatti · CRM 169.361 · Ginecologista e nutróloga 7 min de leitura

Pontos principais

Hormônios sexuais são os hormônios que comandam o desenvolvimento sexual, a fertilidade e muitas outras funções do corpo, tanto na mulher quanto no homem. Os principais são estrogênio, progesterona e testosterona, produzidos pelos ovários e pelos testículos sob o comando do cérebro, num sistema chamado eixo hipotálamo, hipófise e gônadas.

  • Mulheres e homens produzem os mesmos tipos de hormônios sexuais; o que muda é a quantidade e o padrão de produção.
  • Na mulher predominam estrogênio e progesterona, de forma cíclica; no homem predomina a testosterona, de forma mais constante.
  • O cérebro controla as gônadas por meio de GnRH, FSH e LH, e os próprios hormônios sexuais informam o cérebro quando é hora de reduzir o estímulo.
  • Os exames precisam ser escolhidos conforme a queixa e, na mulher, conforme o dia do ciclo.
  • Hormônio sexual usado para estética ou ganho de desempenho não é indicação médica aceita e traz riscos.

O que são hormônios sexuais

Os hormônios sexuais pertencem ao grupo dos esteroides, substâncias produzidas a partir do colesterol. Eles são fabricados principalmente pelas gônadas, que são os ovários na mulher e os testículos no homem, e em menor quantidade pelas glândulas adrenais. O tecido gorduroso também participa, convertendo parte da testosterona em estrogênio.

Esses hormônios agem desde a vida intrauterina, quando ajudam a definir a formação dos órgãos genitais, até a velhice. Na puberdade, provocam as mudanças do corpo, como mamas, pelos, mudança de voz e crescimento. Na vida adulta, mantêm a fertilidade, a libido, a massa óssea e muscular e influenciam humor, pele, cabelos e metabolismo.

Depois de produzidos, os hormônios sexuais circulam no sangue em grande parte ligados a proteínas de transporte. Apenas uma fração fica livre para entrar nas células e agir. Por isso, condições que alteram essas proteínas, como alterações da tireoide, doenças do fígado, resistência à insulina e o uso de alguns medicamentos, podem mudar o efeito dos hormônios mesmo quando a produção parece normal. Dentro das células, eles se ligam a receptores específicos, presentes em órgãos tão diferentes quanto útero, mamas, ossos, vasos, pele e cérebro, o que explica a variedade de sintomas quando há desequilíbrio.

Hormônios sexuais femininos e masculinos

Embora seja comum falar em hormônio feminino e hormônio masculino, todos os hormônios sexuais estão presentes nos dois sexos. A tabela compara o papel de cada um.

HormônioNa mulherNo homem
EstrogênioPredominante na idade fértil; desenvolve mamas e genitais, regula o ciclo, protege ossos e mucosasPresente em menor quantidade, formado em grande parte a partir da testosterona; participa da saúde óssea, da libido e da produção de espermatozoides
ProgesteronaProduzida após a ovulação; prepara o útero para a gravidez e sustenta a gestaçãoPresente em pequena quantidade, principalmente como etapa na fabricação de outros hormônios
TestosteronaProduzida em quantidade bem menor, por ovários e adrenais; participa da libido, da energia e da massa muscularPredominante; responsável por características masculinas, libido, ereção, massa muscular e produção de espermatozoides
FSHEstimula o crescimento dos folículos ovarianosEstimula a produção de espermatozoides
LHProvoca a ovulação e estimula a produção de progesteronaEstimula os testículos a produzirem testosterona

Na mulher

A produção é cíclica. A cada mês, os hormônios sobem e descem em sequência para preparar a ovulação e o útero. Esse ritmo muda ao longo da vida: começa na puberdade, se altera na gestação, fica irregular na perimenopausa e diminui de forma acentuada após a menopausa. Os detalhes de cada hormônio estão no texto sobre hormônio feminino.

No homem

A produção de testosterona é mais estável ao longo do mês, com variação ao longo do dia, geralmente mais alta pela manhã. Com o envelhecimento, a testosterona tende a cair de forma gradual, sem um evento equivalente à menopausa. Obesidade, alguns medicamentos, doenças crônicas e o uso de anabolizantes podem reduzir a produção própria.

O eixo hipotálamo, hipófise e gônadas

A produção de hormônios sexuais funciona como uma cadeia de comando em três níveis. Uma forma simples de visualizar é pensar em um termostato.

  1. Hipotálamo: uma região do cérebro libera um hormônio chamado GnRH em pulsos. Ele é o sinal de partida.
  2. Hipófise: uma pequena glândula na base do cérebro recebe o GnRH e responde liberando FSH e LH na corrente sanguínea.
  3. Gônadas: ovários e testículos recebem FSH e LH e produzem os hormônios sexuais, além de óvulos ou espermatozoides.

O que fecha o circuito é a retroalimentação. Quando os hormônios sexuais estão em nível suficiente, eles avisam o hipotálamo e a hipófise para reduzir o estímulo, como o termostato que desliga o aquecedor quando a sala atinge a temperatura desejada. Quando caem, o estímulo aumenta.

O que acontece quando o eixo se desequilibra

Um problema em qualquer nível afeta todo o sistema:

  • No hipotálamo: estresse intenso, perda de peso rápida, ingestão insuficiente de energia e excesso de treino podem reduzir os pulsos de GnRH e suspender a menstruação.
  • Na hipófise: prolactina elevada, por exemplo, inibe o eixo e pode causar ciclos irregulares na mulher e queda de libido no homem.
  • Nas gônadas: na menopausa, os ovários deixam de responder. O cérebro, sem a retroalimentação, aumenta FSH e LH, o que explica por que esses hormônios sobem nessa fase.

Esse mecanismo também explica um risco do uso de hormônios sem indicação. Quando alguém usa testosterona ou anabolizantes por conta própria, o cérebro entende que há hormônio de sobra e reduz FSH e LH. No homem, isso pode diminuir a produção própria de testosterona e de espermatozoides. Na mulher, testosterona em excesso pode causar acne, aumento de pelos, alterações na voz e no ciclo, e alguns desses efeitos podem não ser reversíveis.

Exames de hormônios sexuais

A avaliação laboratorial dos hormônios sexuais só faz sentido quando orientada pela queixa clínica. Os exames mais pedidos incluem:

  • FSH e LH: ajudam a entender se o problema está no cérebro ou nas gônadas.
  • Estradiol: a principal forma de estrogênio na idade fértil.
  • Progesterona: na mulher, costuma ser dosada na segunda metade do ciclo para indicar se houve ovulação.
  • Testosterona total e livre: avaliadas em suspeita de excesso de androgênios na mulher ou de deficiência no homem.
  • SHBG: proteína que transporta os hormônios sexuais e influencia quanto deles fica disponível para agir.
  • Prolactina e TSH: não são hormônios sexuais, mas alterações neles interferem diretamente no eixo.
  • Hormônio antimülleriano: usado em contextos específicos para estimar a reserva ovariana.

Cuidados na interpretação

Na mulher, o dia do ciclo muda completamente o significado do resultado. O uso de anticoncepcional hormonal, reposição hormonal ou suplementos também interfere. Os valores de referência variam entre laboratórios e métodos, e um resultado fora da faixa nem sempre indica doença. Por isso, exame de hormônio deve ser interpretado junto com os sintomas e o exame físico. O texto sobre exames para avaliar hormônios detalha esse ponto.

Quando procurar avaliação

Na mulher, vale procurar avaliação diante de menstruação irregular ou ausente, dificuldade para engravidar, acne e aumento de pelos persistentes, queda importante de libido, ondas de calor ou secura vaginal. No homem, queda de libido, disfunção erétil, cansaço persistente, perda de massa muscular ou dificuldade para ter filhos merecem investigação.

Na consulta com a Dra. Renata Belatti, médica ginecologista e nutróloga, a avaliação hormonal da mulher considera também peso, composição corporal, alimentação e saúde metabólica, que interferem diretamente no eixo dos hormônios sexuais.

Leia também

Perguntas frequentes

Quais são os hormônios sexuais femininos?

Os principais são estrogênio e progesterona, produzidos pelos ovários. A testosterona também está presente na mulher, em quantidade menor. FSH e LH, produzidos pela hipófise, comandam essa produção.

Mulher pode ter testosterona alta?

Sim. Uma causa frequente é a síndrome dos ovários policísticos, mas existem outras, e algumas exigem investigação cuidadosa. Acne, aumento de pelos e ciclos irregulares são sinais que podem aparecer.

Anticoncepcional altera os exames de hormônios sexuais?

Sim. A maioria dos anticoncepcionais hormonais bloqueia o eixo e substitui o ciclo natural, o que altera os resultados. Informe sempre ao médico o que você usa antes de colher os exames.

É possível equilibrar os hormônios sexuais naturalmente?

Sono, alimentação suficiente, peso adequado, atividade física e manejo do estresse apoiam o funcionamento do eixo. Quando há uma doença hormonal, porém, esses hábitos não substituem o diagnóstico e o tratamento.

Usar hormônio para ganhar massa muscular é seguro?

Não é indicação médica aceita. O uso de hormônios para estética ou desempenho pode suprimir a produção própria, alterar o colesterol, a pressão e o fígado e causar efeitos que nem sempre são reversíveis.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica individualizada.

Quer conversar sobre o seu caso?

Atendimento particular em São José do Rio Preto/SP, com tempo de consulta.

Agendar pelo WhatsApp
Newsletter

Receba conteúdos sobre saúde da mulher

Textos da Dra. Renata sobre hormônios, ciclo e longevidade — sem spam, direto no seu e-mail.

✓ Inscrição confirmada! Você receberá os próximos conteúdos no seu e-mail.

Posts relacionados

WhatsApp
Desenvolvido por Foco 9 Soluções Digitais